SURDO CEGUEIRA E DEFICIÊNCIAS MÚLTIPLAS

Há
alguns contrassensos quanto a terminologia entre estudiosos que
versam sobre surdocegueira. Segundo Lagati (1995, p.306), o termo
usado com hífen indica uma soma das deficiências causadas pela
surdez e cegueira, e a mesma palavra sem hífen indica uma condição
única e o impacto da perda dupla é multiplicativo e não aditivo. O
mesmo autor explicita que a surdocegueira é uma condição que se
apresenta além das causadas pela cegueira e surdez. Por outro lado,
McInnes (1999) defende que a surdocegueria é uma deficiência única.
Sabe-se que uma pessoa com tal deficiência deve ter um sistema de
comunicação adequado desde a infância, caso contrário, corre-se o
risco de inadequações na fase adulta. Embora a pessoa com
surdocegueira tenha atrasos no desenvolvimento da linguagem, não se
pode afirmar que tenha baixo potencial, mas sim que haja a falta de
recursos aos quais possa responder.
Não
é adequado relacionar
a surdocegueira a
deficiências múltiplas. Esta
se caracteriza pela associação de duas ou mais deficiências
primárias (intelectual/visual/auditiva/física), com
comprometimentos que acarretam consequências no seu desenvolvimento
global e capacidade adaptativa, conforme descrito na Lei 7.853, de 24
de outubro de 1989. Os autores Orelove e Sobsey (2000) definem as
pessoas com deficiência
múltipla como
indivíduos com comprometimentos acentuados no domínio cognitivo,
associados a comprometimentos no domínio motor ou no domínio
sensorial (visão ou audição) e que requerem apoio permanente,
podendo ainda necessitar de cuidados de saúde específicos. Para
os mesmos autores, a
deficiência múltipla é uma condição que resulta de uma etiologia
congênita ou adquirida. De
acordo com
Nielsen, quanto maior for o número de deficiências, maior o risco
da pessoa não conseguir fazer uso de todas as habilidades que
possui.
Alguns
desafios são imprescindíveis para se trabalhar com pessoas com DMU,
especialmente no que tange à comunicação e o posicionamento.
Ampliar o conhecimento sobre a sociedade que o cerca, respeitar sua
individualidade, suas especificidades e suas peculiaridades é uma
forma para se colaborar com a autonomia e a independência de pessoas
com essas deficiências.
A
observação participativa de seus gestos e movimentos é uma boa
estratégia para se verificar a intencionalidade como tentativa de
comunicação.
Os
símbolos tangíveis são
ótimas ferramentas
para a aquisição da comunicação, eles podem ser ou de três
dimensões que são os objetos ou de duas dimensões, ou seja, as
figuras.
Existem
várias propriedades que tornam os símbolos tangíveis:
·
Eles carregam uma relação perceptiva clara com a referência,
·
Eles são permanentes, fazendo menos exigências para a memória do
usuário do que são a fala e os sinais de libras, que exigem
mais memória de recordação do usuário.
·
Eles são manipuláveis,
- Eles podem ser indicados por meio de uma resposta motora simples como o toque, apontar, pegar ou um olhar, colocando pouca necessidade das habilidades motoras do usuário.
- Símbolos tridimensionais podem ser úteis para pessoas sem visão, já que podem ser discriminados pelo tato.
- Precisam somente ser reconhecidos a partir de um display permanente de símbolos, utilizando assim a memória de reconhecimento, uma habilidade cognitiva mais básica.
O
favorecimento do desenvolvimento dos esquemas corporais também se
constituem em instrumentos eficazes para a comunicação, pois é por
meio do corpo que o indivíduo descobre a si mesmo e aquilo que
existe em seu entorno.
Reconhecer
as habilidades de pessoas com DMU é fundamental para que tenham um
crescimento saudável como ser participante da sociedade, livre de
estigmas e de preconceitos. Em uma escola realmente inclusiva deve-se
trabalhar no sentido de possibilitar a essas pessoas uma participação
efetiva e autônoma em todos os setores, seja dentro da família, na
escola e na sociedade em geral.
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