segunda-feira, 5 de maio de 2014


SURDO CEGUEIRA E DEFICIÊNCIAS MÚLTIPLAS
 
 
 
 
 
 
 
Há alguns contrassensos quanto a terminologia entre estudiosos que versam sobre surdocegueira. Segundo Lagati (1995, p.306), o termo usado com hífen indica uma soma das deficiências causadas pela surdez e cegueira, e a mesma palavra sem hífen indica uma condição única e o impacto da perda dupla é multiplicativo e não aditivo. O mesmo autor explicita que a surdocegueira é uma condição que se apresenta além das causadas pela cegueira e surdez. Por outro lado, McInnes (1999) defende que a surdocegueria é uma deficiência única. Sabe-se que uma pessoa com tal deficiência deve ter um sistema de comunicação adequado desde a infância, caso contrário, corre-se o risco de inadequações na fase adulta. Embora a pessoa com surdocegueira tenha atrasos no desenvolvimento da linguagem, não se pode afirmar que tenha baixo potencial, mas sim que haja a falta de recursos aos quais possa responder.
Não é adequado relacionar a surdocegueira a deficiências múltiplas. Esta se caracteriza pela associação de duas ou mais deficiências primárias (intelectual/visual/auditiva/física), com comprometimentos que acarretam consequências no seu desenvolvimento global e capacidade adaptativa, conforme descrito na Lei 7.853, de 24 de outubro de 1989. Os autores Orelove e Sobsey (2000) definem as pessoas com deficiência múltipla como indivíduos com comprometimentos acentuados no domínio cognitivo, associados a comprometimentos no domínio motor ou no domínio sensorial (visão ou audição) e que requerem apoio permanente, podendo ainda necessitar de cuidados de saúde específicos. Para os mesmos autores, a deficiência múltipla é uma condição que resulta de uma etiologia congênita ou adquirida. De acordo com Nielsen, quanto maior for o número de deficiências, maior o risco da pessoa não conseguir fazer uso de todas as habilidades que possui.
Alguns desafios são imprescindíveis para se trabalhar com pessoas com DMU, especialmente no que tange à comunicação e o posicionamento. Ampliar o conhecimento sobre a sociedade que o cerca, respeitar sua individualidade, suas especificidades e suas peculiaridades é uma forma para se colaborar com a autonomia e a independência de pessoas com essas deficiências.
A observação participativa de seus gestos e movimentos é uma boa estratégia para se verificar a intencionalidade como tentativa de comunicação.
Os símbolos tangíveis são ótimas ferramentas para a aquisição da comunicação, eles podem ser ou de três dimensões que são os objetos ou de duas dimensões, ou seja, as figuras.
Existem várias propriedades que tornam os símbolos tangíveis:
· Eles carregam uma relação perceptiva clara com a referência,
· Eles são permanentes, fazendo menos exigências para a memória do usuário do que são a fala e os sinais de libras, que exigem mais memória de recordação do usuário.
· Eles são manipuláveis,
  1. Eles podem ser indicados por meio de uma resposta motora simples como o toque, apontar, pegar ou um olhar, colocando pouca necessidade das habilidades motoras do usuário.
  2. Símbolos tridimensionais podem ser úteis para pessoas sem visão, já que podem ser discriminados pelo tato.
  3. Precisam somente ser reconhecidos a partir de um display permanente de símbolos, utilizando assim a memória de reconhecimento, uma habilidade cognitiva mais básica.
O favorecimento do desenvolvimento dos esquemas corporais também se constituem em instrumentos eficazes para a comunicação, pois é por meio do corpo que o indivíduo descobre a si mesmo e aquilo que existe em seu entorno.
Reconhecer as habilidades de pessoas com DMU é fundamental para que tenham um crescimento saudável como ser participante da sociedade, livre de estigmas e de preconceitos. Em uma escola realmente inclusiva deve-se trabalhar no sentido de possibilitar a essas pessoas uma participação efetiva e autônoma em todos os setores, seja dentro da família, na escola e na sociedade em geral.

 


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