quinta-feira, 13 de março de 2014

EDUCAÇÃO PARA PESSOAS COM SURDEZ NA PERSPECTIVA INCLUSIVA

EDUCAÇÃO DE PESSOA COM SURDEZ NA PERSPECTIVA INCLUSIVA


Historicamente, os casos de pessoas com surdez resultam de pontos de vistas diversos e até polêmicos, pois havia uma dicotomia entre oralistas, os quais defendiam que se deveria usar pouco a língua de sinais para favorecer o desenvolvimento da fala; e os gestualistas, que acreditam ser a língua de sinais prioritária para a educação de pessoas com surdez. Atualmente, porém é entendido que se deve quebrar esse antagonismo criado ao longo dos anos, pensando nas pessoas com surdez como seres humanos, cujos  processos de percepção, tanto linguísticos, quanto cognitivos podem ser estimulados e desenvolvidos. Sendo assim, não se deve separar pessoas com surdez de ouvintes, já que ambos são igualmente  capazes, produtivos, com potencialidade para adquirir e desenvolver a linguagem. Dessa forma, não é legítimo o paradigma que tem defendido os marcadores identitários dos surdos como cultura surda e a dos ouvintes como cultura dominante.
É nesse sentido que a política educacional, em seu Decreto 5.626 de 5 de dezembro de 2005, propõe o direto de uma educação que garanta a formação da pessoa com surdez, tendo em vista a língua de sinais como a materna, e a língua portuguesa, em sua modalidade escrita, como a segunda língua, constituindo-se ambas em línguas de instrução, de forma simultânea, no âmbito escolar. Porém, sabe-se que, apesar de existirem direitos, a maioria das escolas brasileiras ainda anda na contramão desses ideais. O problema da educação das pessoas com surdez não deve ser  centrado somente nessa ou naquela língua, , mas sim compreender que o cerne da questão está na qualidade e  eficiência das práticas pedagógicas. Para ressignificar a educação de pessoas com surdez é necessário observar um campo de comunicação e interação amplo, possibilitando o desenvolvimento da linguagem como mediadora das relações sociais. Dessa forma, pessoas com surdez devem ser estimuladas, a fim de se tornarem sujeitos com potencialidade para adquirir e desenvolver não somente os processos visuais-gestuais, mas também a leitura e escrita na Língua Portuguesa.

Dentro desse panorama, o Atendimento Educacional Especializado para pessoas com surdez deve ter uma perspectiva inclusiva, com o objetivo de oferecer à pessoa com surdez serviços e recursos que favoreçam sua autonomia social, afetiva e cognitiva dentro da escola e na sociedade em geral. Como ponto de partida, deve-se estabelecer o reconhecimento do potencial e as capacidades da pessoa com surdez,  respeitando-se, obviamente, suas diferenças. A educação deve ser bilíngue, considerando LIBRAS e Língua Portuguesa escrita como línguas de instrução, para favorecer o sistema de comunicação. O AEE para PS deve ocorrer, envolvendo três momentos didático-pedagógicos: AEE em Libras; AEE de Língua Portuguesa escrita; e o AEE de Libras. O AEE de LIBRAS constitui-se em uma forma de aprendizado que deve acontecer diariamente, no contra turno escolar, para alunos com surdez, inseridos em escolas regulares. O AEE em LIBRAS deverá acontecer, do mesmo modo anterior, ou seja, diariamente, no contra turno para alunos com surdez, matriculados em escolas regulares. Os profissionais envolvidos serão o professores com formação em AEE, com domínio em linguagem de sinais, juntamente com os professores de sala comum. O AEE para o ensino de Língua Portuguesa é feito por meio de parcerias com os professores de sala comum e de LIBRAS, juntamente com o professor de Língua Portuguesa, os quais realizam estudos com relação ao conteúdo curricular, utilizando toda a fonte de pesquisa possível, para um melhor planejamento. Diante dessa formação, o aluno com surdez será inserido, como sujeito autônomo, independente e capaz de participar de todas as situações sociais, como cidadão consciente. É nesse sentido que a educação deve caminhar.

Um comentário:

  1. Olá Roberta,

    Parabéns por sua postagem. Você conseguiu repassar com clareza um pouco de tudo que vimos neste módulo.
    Gostei!

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